• Madeira: consumidor pode exigir selo de certificação


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    Os dados são alarmantes: 86% da extração de madeira no Brasil ocorre de maneira irregular e mais de 90% da madeira comercializada degrada, de alguma forma, o meio-ambiente. Os números são do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama e alertam para uma realidade inegável: mais do que nunca, é preciso preservar e agir de forma consciente. Esses dois órgãos, responsáveis pela fiscalização da extração clandestina de madeira, se declaram incapazes de cumprir a tarefa.


    O setor madeireiro no País emprega mais de 2 milhões de pessoas, sendo responsável por 4% do PIB, e quase 90% do total extraído é consumido dentro do País. A madeira é a principal matéria-prima para a produção do setor de móveis e de papéis, e embora seja renovável, é preciso garantir o seu replantio.


    Além da preocupação com reciclagem, é preciso que o consumidor certifique-se da origem do produto a ser consumido. No caso da madeira, o selo que garante a extração regular é fornecido pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, o FSC. Desde 1993, o FSC, organização internacional e não-governamental, credencia certificadoras no mundo inteiro para garantir que essas organizações possam certificar atendendo a padrões rígidos de qualidade.


    Os produtos certificados pelo Conselho atendem a critérios sócioambientais sustentáveis, e a principal diferença entre o selo e outras organizações de controle e regulamentação ambiental é que essa certificação é a mais rigorosa, com padrões que foram pensados de maneira a promover o desenvolvimento sustentável, não só do meioambiente da área avaliada mas também da população nativa. No site do FSC (www.fsc.org.br), há uma lista completa de florestas e empresas certificadas pelo selo.


    A certificação de madeira é um caminho natural para empresas que trabalham com exportação de madeira, já que muitos países de primeiro mundo já proíbem importação de matéria-prima não certificada. Alguns governos, como o dos Estados Unidos, já oferecem benefícios fiscais para empresas certificadas.


    “O selo do FSC garante que a madeira foi manejada de forma sustentável. Portanto, o consumidor deve dar preferência a produtos que contenham essa certificação”, afirma Lisa Gunn, gerente de informação do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). A associação, criada em 1987, tem como objetivo promover a

    conscientização e a ética nas relações de consumo, e mantém um site com dicas para que consumidor adquira produtos ecologicamente corretos. O endereço é: www.idec.org.br.

     

    A Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, tem florestas no Paraná e em Santa Catarina certificadas pelo FSC. Isso significa que 1,6 milhões de toneladas de papel produzidas anualmente no Brasil provêm do manejo responsável da madeira e atende a padrões sócio-ambientais de qualidade. “A certificação garante a rastreabilidade da matéria-prima usada no processo de fabricação. É uma garantia de que a Klabin só utiliza madeira certificada ou controlada”, garante o diretor Florestal da Klabin, Reinoldo Poernbacher.

     

    Além da questão ambiental, a madeira extraída corretamente também pode garantir iniciativas economicamente viáveis e promover o crescimento industrial na região. Para Poernbacher, um dos maiores benefícios comerciais da certificação FSC em Santa Catarina será que as indústrias desses locais não precisarão mais buscar madeira no Paraná, o que irá diminuir os custos sobre o produto final. “Para um móvel entrar na Europa, ele precisa ter, no mínimo, 70% de madeira certificada”, afirma. “Para nossos clientes é uma oportunidade e uma grande vantagem”.


    A Klabin fornece papéis de vários tipos para empresas de pequeno e grande porte, como a Sadia, uma das líderes nacionais no segmento alimentício, e a Tetra Pak, a empresa que é responsável por 95% de todas as embalagens longa vida consumidas no País.


    É preciso se informar bem para consumir bem. Com a recente divulgação do relatório do IPCC sobre o aquecimento global, a tendência é que a consciência ambiental seja um dos principais assuntos do mundo pelos próximos anos. Se o consumidor for bem informado e exigir produtos de procedência regular, não existe outro caminho a ser seguido pelas grandes empresas. O planeta Terra agradece.

     

    Ana Paula Freitas

     


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